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Mercado livreiro no Brasil é debatido no Circuito Cultural de Pernambuco

Mercado livreiro no Brasil é debatido no Circuito Cultural de Pernambuco

Empresário do setor livreiro há mais de 35 anos e presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL) desde 2019, Vitor Tavares acompanha de perto as transformações que o mercado vem enfrentando nos últimos tempos: abertura de grandes livrarias, fechamento de lojas, vendas on-line, evolução do livro eletrônico, perda de faturamento. Quando os números indicavam recuperação financeira, diz ele, veio a pandemia do novo coronavírus e, mais recentemente, a possibilidade de um imposto que pode aumentar em mais de 20% o preço do livro no Brasil.

Todos esses assuntos serão discutidos por Vitor Tavares na segunda etapa do Circuito Cultural Digital de Pernambuco, no bate-papo Panorama do Mercado Livreiro no Brasil, às 11h desta sexta-feira (9). A live, com participação do consultor literário e ex-presidente da Associação Nacional de Livraria, Ednilson Xavier, será transmitida pelo portal do evento (www.circuitoculturalpernambuco.com.br). O circuito é uma iniciativa da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) e tem curadoria da Fundação Gilberto Freyre, com programação gratuita.

 

“O livro não pode ser taxado de forma nenhuma, o governo não pode sacrificar o pobre porque o rico pode pagar mais”, destaca Vitor Tavares ao falar sobre o projeto de reforma tributária do Ministério da Economia que prevê taxação de 12% sobre o setor. Um possível acréscimo de mais de 20% no preço final do livro, de acordo com ele, prejudicará as pessoas de menor poder aquisitivo. “A leitura deve ser acessível a todas as camadas da população, para os mais pobres ela abre portas e permite uma ascensão social e econômica”, destaca o presidente da CBL.

 

Em agosto, a CBL lançou manifesto com outras entidades contra a proposta do governo federal de taxação dos livros. “Essa é uma questão que a CBL vê com muita preocupação e é preciso mobilizar a sociedade toda, nosso abaixo-assinado virtual conseguiu mais de um milhão de assinaturas em 15 dias”, declara. O imposto impactará escritores, livreiros, editoras, distribuidoras, livrarias e bibliotecas, além de reduzir a quantidade de leitores, alerta. “A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em setembro, mostrou que 27 milhões de brasileiros das classes C, D e E são consumidores de livros, não são apenas os ricos que leem”, observa Vitor Tavares.

 

De acordo com ele, o mercado livreiro sofreu perda de 20% do faturamento nos últimos cinco anos. Em 2018 e 2019, a queda diminuiu e houve crescimento do mercado editorial de ficção e não ficção. “Apostamos que 2020 seria um ano melhor, mas a pandemia da Covid-19 foi como uma ducha de água fria. Em março e abril não chegamos a 10% ou 20% do que se faturava antes. E depois da reabertura das lojas, as livrarias não vendem 70% do que vendiam antes, no varejo.”

 

Vitor Tavares reconhece aumento na venda de livros eletrônicos (e-books) na pandemia e crê numa nova tendência pós-pandemia, a abertura de pequenas livrarias de bairro. “É uma experiência nova, livreiros demitidos podem surgir como empreendedores prestando serviço a sua comunidade, um ex-funcionário da Livraria Cultura abriu uma pequena livraria no bairro Bixiga em São Paulo”, exemplifica. “Esse é um caminho e também é importante acompanhar as novas ferramentas de tecnologia, a CBL está fazendo isso e vai promover, pela primeira vez, a Bienal do Livro de São Paulo no formato digital, em dezembro próximo”, afirma.

Ednilson Xavier, consultor literário

Para Ednilson Xavier, o mercado só será fortalecido se o setor conseguir reinventá-lo. “Mas com práticas éticas e valorizando toda a cadeia produtiva e distributiva do livro, desde o autor até o leitor”, declara. Ele também critica a proposta de taxação do livros. “Um verdadeiro absurdo e claro reflexo de um governo que pouco tem se importado com as questões sociais do nosso País, principalmente a educação, cultura, saúde e meio ambiente”, declara o consultor literário.

 

“Por outro lado, não podemos deixar de fazer mea-culpa. Em 2004, todo o mercado livreiro/editorial foi beneficiado com a Lei nº 10865, na qual a alíquota do PIS/CONFINS foi isenta com a promessa que se fizesse algo em prol do livro e da leitura, proporcionando assim, a formação de mais leitores. Um ou outro contribuíram nos primeiros meses. Depois, caiu no esquecimento e o que vimos foram números desanimadores. Para não dizer que não fizemos nada, foi criado o Instituto Pró-Livro, que é mantido pela CBL, SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros) e ABRELIVROS (Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares) e que se resume a realizar a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que pouco se reflete na prática”, observa.

 

Programação da sexta-feira (9/10)

 

8h30 – Ler, muito prazer!

Exibição de vídeos de experiências de leitura de crianças na primeira e segunda infância

 

9h – Senta, que lá vem história!

Contação da história do livro A coisa brutamontes (Cepe), de Renata Penzani, com Érica Montenegro.

 

9h45 – Dinâmica das letras

Uma conversa sobre poesia, com Érica Montenegro

 

10h – Oficina

Oficina de Literatura de Cordel para Crianças, com Mari Bigio

 

11h – Bate-papo

Panorama do mercado livreiro no Brasil, com a participação de Vitor Tavares (presidente da Câmara Brasileira do Livro) e de Ednilson Xavier (consultor literário e ex-presidente da Associação Nacional de Livraria)

 

12h – Prazer de Ler

Exibição de vídeos de experiências de leitura de jovens e adultos

 

13h – Videocast Cultural

D-20 Vermelha (Direção de Djaelton Quirino, 2019)

 

14h – Oficina Teatro para Crianças

Produção de Teatro de sombras, com Dani Travassos

 

15h – Bate-papo

Livro testemunho: história de refugiados no Brasil. Participação das jornalistas e escritoras Aryane Cararo e Duda Porto de Souza, e mediação de Valentine Herold

 

16h – Por dentro do livro

Osman e Hermilo: Correspondência, com Anco Márcio Tenório Vieira e Wellington de Melo

 

17h – Palestra

Jovens e a Leitura: crush ou relacionamento sério? Participação de Thalita Rebouças e apresentação de Luiza Maia

 

18h – Contação de história

Contação da história do livro A coisa brutamontes (Cepe), de Renata Penzani, com Érica Montenegro

 

18h45 – Dinâmica das letras

Criação de poesias, com Érica Montenegro

 

19h – Lançamento

Um espião silenciado, de Raphael Alberti. Conversa entre o autor e o jornalista Vandeck Santiago

 

20h – Sarau

Sarau musical Vozes da Mata Sul, com Anaíra Mahin, Rildo de Deus e Dennis Anderson

Texto: Assessoria de Imprensa Cepe

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