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Circuito Cultural promove bate-papo sobre leitura no Brasil neste sábado

Circuito Cultural promove bate-papo sobre leitura no Brasil neste sábado

O Circuito Cultural Digital de Pernambuco traz, às 11h deste sábado (12), um dia após a divulgação do resultado da Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, bate-papo com a presidente da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (Febab), Adriana Ferrari. De acordo com a pesquisa, coordenada pelo Instituto Pró-Livro em parceria com o Itaú Cultural e que avalia os hábitos de leitura no País,  48% dos brasileiros não leem, mas cresceu o número de crianças leitoras. “É preciso avançar nas políticas públicas para que as bibliotecas possam contribuir na formação de leitores em todo o território”, afirma Adriana Ferrari, que vai participar do bate-papo Por um Brasil de Leitores, com mediação do gerente da Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco, Hélio Monteiro. Aberto quarta-feira (9), o Circuito Cultural é uma iniciativa da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) com curadoria da Fundação Gilberto Freyre. A primeira etapa termina neste domingo (13), mas a programação, sempre gratuita e para todas idades, é retomada em outubro, novembro e dezembro, com novas atividades. Mais de 20 editoras, livrarias e instituições estão inseridas no evento, com atrações próprias. O Circuito, pela primeira vez no formato digital, presta homenagem ao poeta João Cabral de Melo Neto, que teria completado 100 anos de nascimento em 9 de janeiro de 2020. Acompanhe tudo pelo portal do Circuito (www.circuitoculturalpernambuco.com.br). A seguir, entrevista com Adriana Ferrari.

Pergunta – Na proposta de reforma tributária do governo federal o setor de livro perde a isenção de impostos e passa a ter taxação de 12%. Isso pode provocar alta no preço dos livros. Nesse cenário, como fazer do Brasil um País de leitores?  

Adriana Ferrari – Bem, nós da FEBAB (Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários e Instituições), somos contrários a tributação do preço do livro, estamos alinhados ao manifesto em defesa do livro liderados pelas entidades do mercado editorial, ficamos igualmente estarrecidos com as declarações do Governo justificando que a população carente continuaria recebendo livros gratuitamente já que a medida só afetaria uma elite. Porém, tão igualmente importante lutar pela não tributação é resgatar que a desoneração estava vinculada à criação de um “Fundo” fomentador de recursos para a formação de leitores, constituído por 1% do lucro das editoras. Este Fundo, que jamais foi regulamentado pelos governos, carece ser criado e co-gestionado corretamente dentro de parâmetros publicamente estabelecidos pela Lei 13.696/2018, que cria a Política Nacional de Leitura e Escrita. Esses recursos poderão contribuir para o fortalecimento das bibliotecas públicas e de uso público no país responsáveis para dar acesso não apenas aos livros mas a um espaço pensado para o incentivo à leitura e para o oferecimento de outros serviços importantes para a formação de leitores e promoção da cidadania.

Pergunta – Livro, de modo geral, não é um artigo barato. Para as famílias mais pobres chega a ser um artigo de luxo. Como fazer o livro chegar a mais pessoas no Brasil?

Adriana Ferrari – Entendo que são as bibliotecas que devem assegurar o acesso gratuito aos livros, independentemente se as pessoas possam ou não os adquirir. As bibliotecas são um direito de todos, são os espaços democráticos por excelência, que devem dispor de um acervo atualizado que contenha diversidade, onde todas as pessoas possam encontrar muitas histórias incluindo àquelas que também as representam. Então, a tributação será mais um obstáculo, dentro uma série que já vivenciamos, com a ausência de políticas públicas de formação de leitores e manutenção das infraestruturas das bibliotecas,  ainda mais enfraquecidas  com a extinção do Ministério da Cultura. Não ter Ministério da Cultura já indica o “valor “que essa área representa para o Governo Federal. E o que me entristeceu foi observar um silenciamento de toda a classe artística, principalmente daqueles segmentos que poderiam ter feito maior incidência, quando da extinção do Ministério logo no início do Governo. Medidas como o caso da tributação e também as nomeações dos responsáveis pela Pasta da Cultura são decorrentes do descaso do Governo. No caso da área de bibliotecas e leitura me parece ser uma estratégia para manter as coisas como elas estão. Quanto menos leitores críticos melhor.

Pergunta – Que tipo de apoio bibliotecas públicas recebem para incentivar o hábito de leitura?Adriana Ferrari – As bibliotecas precisam de políticas sólidas e continuadas para poder ter as condições de formar leitores, ampliar os repertórios culturais de todos e todas. Precisa também contar com equipes capacitadas para entender as demandas e dar as respostas que a comunidade precisa. Infelizmente, temos muitas cenas cotidianas como  vimos no filme “Bacurau”. As bibliotecas não dispõem de recursos para formar seus acervos e coleções, para planejar seus serviços, para se fazer presentes em suas comunidades. É preciso avançar nas políticas públicas para que as bibliotecas possam contribuir na formação de leitores em todo o território. Com o advento da pandemia os recursos serão ainda mais escassos no campo da cultura o que inclui as bibliotecas. Elas terão que  reafirmar seu papel perante a sociedade,  intensificando suas ações de advocacy. As bibliotecas terão um papel ainda mais importante, no retorno gradual de suas atividades presenciais pós pandemia, elas terão que ser converter em locais de escuta afetiva para atender uma população marcada por perdas significantes.

Programação do sábado – 12.09

8h – Oficina

Mão de Moldar Passarinho – Oficina de modelagem com Emerson Pontes

9h – Senta, que lá vem história!

Contação da história do livro Comadre Fulozinha (Além da Lenda) com Joanah Flor

10h – Apresentação cultural

Show do mágico Rodrigo Lima

11h – Bate-papo

Por um Brasil de leitores. Participação de Adriana Ferrari e Hélio Monteiro (mediador)

12h – Lançamentos

O Brasil de Gilberto Freyre (Cepe), de Mario Helio. Conversa do autor com o professor Anco Márcio Tenório Vieira

14h – Por dentro do livro

O obscuro fichário dos artistas mundanos (Cepe) – Participação da roteirista Clarice Hoffmann e do ilustrador Paulinho do Amparo

15h – Bate-papo

Videogame, a evolução da arte. Participação de João Varella e Renato Mota (mediador)

16h – Show

Carol Levy

17h – Contação de história

Contação da história do livro Comadre Fulozinha (Além da Lenda) com Joanah Flor

18h – Cineminha

Além da Lenda (ViuCine)

19h – Sarau

Vozes do Recife – Recital poético com a Companhia Fiandeiros de Teatro

Assessoria de Imprensa da Cepe

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