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Cinema e literatura: afinidades e diferenças em Arcoverde

Cinema e literatura: afinidades e diferenças em Arcoverde

Audiovisual e literatura sempre trocaram figurinhas. Mas nem tudo é preto no branco: as palavras contidas em um livro não vão para a telona de forma literal. Afinal, como resumir uma obra de 500 páginas em duas horas? Esse, porém, não é apenas o único dilema. “Muita gente assiste a um filme baseado em um livro e comenta ‘gostei mais do filme’ ou ‘o livro é melhor’. Não dá para fazer esse tipo de comparação pois são linguagens diferentes”, explica o roteirista Nelson Caldas. Ele estará ao lado da cineasta Kátia Mesel, dentro da programação da 3ª edição da Feira Literária do Sertão (Felis), na Praça Winston Siqueira. O evento é uma co-realização da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) com o Coletivo Cultural de Arcoverde (Cocar). O Diálogo Alimentação e Identidade, dia 26 de outubro, às 17h30, ocorre na Praça Winston Siqueira.

O cinema é uma das muitas linguagens que dialoga com a literatura dentro da Felis (ver programação ao final da matéria). Realizada em Arcoverde de 24 a 27 de outubro, nesta edição a Felis aborda o tema Literatura, Preservação e Memória. “O atual momento político do Brasil e do mundo reflete uma tendência ao revisionismo da história e a literatura pode ser um grande antídoto à tentativa de se apagar o passado. Há também uma discussão local que a Felis propõem uma reflexão geral: estamos cuidando da nossa memória patrimonial?”, destacou Kleber Araújo. É o primeiro evento a ser realizado dentro do Circuito Cultural de Pernambuco, que reúne ações da Cepe, Secretaria de Cultura de Pernambuco e Fundarpe nas diversas linguagens artísticas. Serão mais de 40 horas e quase 60 atividades dentro de uma programação totalmente gratuita, que abrirá espaço para lançamentos de livros de autores locais e convidados, palestras, rodas de conversas, debates, apresentações musicais, oficinas, teatro, dança e gastronomia.

A cineasta recifense Kátia Mesel enxerga a proximidade entre audiovisual e literatura a partir do roteiro. “No início de um filme tudo é escrito: primeiro o argumento, depois o roteiro. O cinema já nasce com a palavra escrita”, observa Kátia. Mas como nasce o roteiro? “De uma fofoca sai um mito, depois um livro, a seguir um filme. Essas trajetórias fazem parte da humanidade”, acredita Nélson. O pernambucano é roteirista da TV Globo e já adaptou 20 novelas da emissora para DVD. “A novela possui a linguagem de ganchos. Por isso acabo contando a minha novela dentro de outra novela. Conto minha história como acho que deve ser contada”, explica.

Premiada internacionalmente, Kátia é reconhecida como a primeira diretora pernambucana, e já realizou mais de 300 filmes, desde a década de 1960. Mas dessa gama apenas três foram inspiradas em obras literárias, o que não exime o realizador de inevitavelmente produzir literatura ao escrever o roteiro. “Cacá Diegues, por exemplo, é membro da Academia Brasileira de Letras por causa dos seus roteiros”, ressalta.

 

Isso, claro, para quem realiza filmes da maneira formal, como Kátia ressalta. “Sem esquecer de todas as licenças poéticas para uma ideia na cabeça e uma câmera na mão. Para resguardar a autoralidade da obra cinematográfica é preciso registrar por escrito”. Dentre os filmes inspirados em literatura, Kátia destaca seu premiado documentário Recife de dentro pra fora (1997), inspirado no poema Cão sem Plumas (1940-1950), de João Cabral de Melo Neto. “Basear-se em uma obra escrita por outra pessoa é desvendar seu conceito. Fiz grandes transtornos na obra poética. Mudei o sentido do rio, troquei estrofes de lugar. São olhares reversos”, explica a cineasta, que depois se encontrou pessoalmente com o autor e ele disse: ‘A obra de arte é como um filho. Depois que você coloca no mundo não é mais sua’”.

Kátia também fez outras duas obras inspiradas em literatura. Rosana (2008) é baseada no livro de poemas de Cida Pedrosa, As filhas de Lilith (2008). Já Oh de Casa (1985) é baseado em textos de Gilberto Freyre, e traz imagens do escritor.

Apesar de íntimas, para Nélson literatura e audiovisual são duas narrativas totalmente diferentes. “O importante é não haver preconceito entre as linguagens. É uma linguagem em cima de outra linguagem”, diz. O filme Através da Sombra (2016), dirigido por Walter Lima Jr. e com roteiro de Nélson Caldas Filho, é inspirado no clássico livro A volta do parafuso (1898), do inglês Henry James. “O desafio foi transportar para outra época”. No momento, o roteirista está adaptando o conto A queda da casa de Usher, do escritor americano Edgar Allan Poe. “Trago ele para o litoral recifense do começo do século 20”, adianta o roteirista, para quem a maioria dos filmes que assistimos são baseados em livros. “Só que são títulos desconhecidos, portanto ninguém se dá conta”.


PROGRAMAÇÃO FELIS – 3ª Feira Literária do Sertão

 

DIA 24 – Quinta-feira

14h Abertura da feira

16h Diálogo Políticas públicas do livro, leitura, literatura e bibliotecas, troca de experiências sobre o projeto Ler Bem entre secretários de educação da região, gestores de escolas e universidades. Mediação da secretária de Educação de Arcoverde, Zulmira Cavalcanti

17h Exposição Memória (Exposição do Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano)

18h30 Palestra Projeto Remissão de pena pela leitura (Participação de representantes da Gerência de Políticas Educacionais de Jovens Adultos e Idosos: Stella Campos Socorro Santos, Liliane Siqueira e Elen Nayara)

– Lançamento do livro de poemas de Juliana Aguiar, Encadeia, confeccionado por adolescentes da Funase de Arcoverde

18h30 Exposição da oficina de encadernação, com mostra de trabalhos no estande da Cocar

19h30 Solenidade de abertura, que contará com leitura da aluna da rede pública municipal Steffany Maria, e apresentação da Orquestra Filarmônica Amusa

20h30 Lançamento do livro Nação avacalhada e pocket show com o compositor Anchieta Dali

 

DIA 25 – Sexta-feira

9h Palestra A leitura como forma de existir e não apenas de resistir, ministrada pela professora de língua portuguesa e de literatura e cultura brasileira na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Haidée Camelo Fonseca, para coordenadores de escolas municipais (Local: Auditório da Secretaria de Educação)

9h30 Projeto Outras palavras – Conversa com a escritora Ezter Liu (vencedora do Prêmio Pernambucano de Literatura). Participação de alunos do Ensino Médio das redes pública e privada.

– Vivência com o MC Magoo/Ponto de cultura Eco da Periferia do Grupo Pé no Chão

16h Diálogo Mulher e literatura – leituras e diálogos de enfrentamento e resistências (Participação da Secretaria Estadual da Mulher, Gerência Regional da Mulher, Coordenadoria da Mulher – PMA, Núcleo de Estudo de Gênero da Autarquia de Ensino Superior de Arcoverde (Aesa)

– Lançamento do livro Lembranças dos caminhos e descaminhos da escola na vida de mulheres negras de Buíque-PE, de 1980-1990, de Irailda Leandro

18h Bate papo sobre o livro Teresa Costa Rêgo: uma mulher em três tempos, do jornalista Bruno Albertim

18h30 Apresentação Literatura Popular, com alunos do curso de Letras – Aesa

19h Diálogo Memória x literatura com a participação de professores e alunos do curso de História da Aesa; Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano. Debatedores: diretor do Arquivo Público, Evaldo Costa, e o professor da Aesa José Nogueira

– Lançamento do livro Cadernos de pesquisas em cultura, política, educação e diferenças, dos professores Augusto Cesar Acioly e Simone Salvador

21h Lançamento-palestra do livro To be human – O gênero homo é, está, foi ou será o que não é agora?, com o autor Duda Gonçalves

21h30 Encontro Repente-Rap-Slam Oralidade e preservação da cultura, com discussão e apresentação artística (participação de Zé Brown, Nix La Marge, Renna Costa, Mc Laranjão, Markus Lee, Jessica Caitano e Andreza Kamylle

22h30 Apresentação musical Feiticeiro Julião

 

DIA 26 – Sábado

10h Intervenção Poética Feira Livre, com o Grupo de Poesia do Sertão

11h XI Festival de violeiros, com apresentação de duplas de violeiros

14h Bate-papo sobre o livro Povo Xambá resiste: 80 anos da repressão aos terreiros em Pernambuco, com a autora Marileide Alves

16h Grupo de leitura Ler pra que? Vai discutir sobre o livro Talvez precisemos de um nome para isso, de Stephanie Borges (participação da representante da Cepe Giselle Melo e Espaço da Palavra, coletivo literário)

17h30 Diálogo Alimentação e identidade (participação do jornalista Bruno Albertim e do chef César Santos)

18h30 Diálogo Audiovisual e literatura, com o roteirista Nelson Caldas e a cineasta Kátia Mesel

20h Lançamento do livro Teorias de um louco, com o autor Marcos Nascimento

20h30 Performance poética com Miró da Muribeca

21h Lançamento de Cd com homenagem aos 70 anos do poeta Antônio Francisco

– Lançamento do CD Cantigas do poeta – Kleber Araújo interpreta Antônio Francisco, com homenagem aos 70 anos do poeta, que estará presente. Participação de poetas convidados: Diosman Avelino, Moisés Avelino, Maira Tenório, Andreza Kamylla, Maria das Montanhas, Tayná França

22h Apresentação musical de Neudo Oliveira

 

DIA 27 – Domingo

15h Apresentação cultural da Banda de Pífano, Boi Cafuné, Performance Otaviano Filho e Microfone Aberto

16h30 Projeto Café em Cena / Diálogo: O papel da literatura na sociedade contemporânea, com a participação de escritores de Arcoverde: Claudiney Mendes, Clécia Pereira, Juliana Aguiar e Raul Silva

19h Mama – Mostra Arcoverdense de Música Autoral (participação de Felipe Moraes, George Silva, Noé Lira, Leandro Vaz, Orlando Melo, Neguinho Arcoverde, Cultura Urbana, Cição, O mago, Alberone, C*zar, Lula Moreira, Johsi Guimarães)

20h Encerramento com apresentação musical do grupo Coco Trupé de Arcoverde

 

PROGRAMAÇÃO INFANTIL – FELISINHO

DIA 24 – Quinta-feira

14h Contação de histórias (participação de Voyle Arte com a Saia Literária)

15h Samba de coco (participação Escola Freire Filho)

15h Exposição Projeto Brincadeiras da Cultura Popular (participação Aesa – pedagogia)

16h Contando e aprendendo os mitos indígenas de Pernambuco (contação de histórias (participação Márcia Moura)

16h Atividades lúdicas (participação Grupo Recriar)

18h Contação de histórias (participação Katia Katita)

 

DIA 25 – Sexta-feira

9h30 Outras palavras (participação de alunos das redes pública e privada)

14h Exposição Cartoneira (participação do projeto Pequenos Escritores)

14h Contação de histórias de O sapo Bocarrão

15h30 Contação em cordel: A formiga surfista e outros contos (participação Suzana Morais)

16h Atividades lúdicas (participação do Grupo Recriar)

16h30 Apresentação teatral (participação do Grupo Cardeal)

18h Espetáculo teatral A menina que corria para trás

18h30 Contação de histórias (participação Aesa – pedagogia)

19h Exposição Projeto Brincadeiras da Cultura Popular (participação Aesa – Pedagogia)

 

DIA 26 – Sábado

14h Exposição Cartoneira (Projeto Pequenos Escritores)

14h Visita à feira (Crianças da Comunidade do Peba)

15h Contação de histórias com Voyle Arte com a Saia Literária

15h Intervenção lúdica com o Grupo Passo Virado

15h30 Contação de histórias com Márcia Moura

16h Relato de um povo, histórias de muitas vidas – declamações com a professora indígena Clenia Suseane

16h Oficina Fabrincando, com o grupo Riso da Terra

16h30 Teatro de marionetes, com o grupo Flor de Lis

17h Jogos e brincadeiras populares (participação pedagogia Aesa)

 

DIA 27 – Domingo

14h Exposição Cartonera (participação do Projeto Pequenos Escritores)

15h Exposição fotográfica: O lugar onde moro, com crianças da Comunidade do Peba

15h Intervenção lúdica com o Grupo Passo Virado

15h30 Oficina Fabrincando com o Grupo Riso da Terra

16h – 17h O cabra que calculava livros que voam, com o Grupo Pitorescos em Cena (CDCA)

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