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Cepe Editora resgata o pernambucano Valença Leal e relança Cruz de Carne

Cepe Editora resgata o pernambucano Valença Leal e relança Cruz de Carne

O escritor pernambucano Valença Leal (1913-1998) tem apenas dois livros publicados e é praticamente um desconhecido na literatura local. Ele poderia continuar assim, na obscuridade, não fosse o faro de repórter do jornalista Homero Fonseca, que descobriu o autor e sua obra ao fazer uma troca de livros num balaio de escambo. Homero pesquisou a vida de Cornélio Gomes Leal, nome de batismo de Valença Leal, por três anos. O resultado das buscas é a reedição pela Cepe Editora do romance Cruz de Carne, lançado em 1944 e que será reapresentado ao público às 19h desta quinta-feira (8), em live com participação do jornalista, da poeta Gerusa Leal e do editor da Cepe, Diogo Guedes, na segunda etapa do Circuito Cultural Digital de Pernambuco (www.circuitoculturalpernambuco.com.br).

Com 300 páginas, Cruz de Carne é um romance de ficção que relata a vida do protagonista e narrador, Inácio, desde os primeiros anos da infância até a fase adulta, passando pelas brincadeiras com os amigos na fazenda onde vivia, aos medos, angústias, descobertas e esperanças da juventude. A história se desenvolve a partir da paixão de Inácio pela prima Mariana e é ambientada em Quipapá, a terra natal de Valença Leal, localizada na Zona da Mata Sul de Pernambuco. É uma trama envolvente, que inclui um julgamento fraudulento e preconceito racial e social. O livro traz um texto de Homero Fonseca sobre o escritor e outro de Gerusa Leal, poeta, contista e filha de Valença Leal.

“A narrativa de Cruz de Carne é linear, progressiva, com elipses e lacunas bem manejadas, espicaçando a curiosidade e a coparticipação do leitor na antevisão das soluções ou na própria construção do enredo. E é repleta de peripécias em doses compatíveis com a clave realista/impressionista do romance: suspeitas de infidelidade, ciúmes, tentativa de assassinato, a busca do protagonista de seu lugar no próprio mundo”, relata Homero Fonseca no texto de abertura da publicação. Em 1944, Valença Leal lançou o livro pela Editora Pan-Americana, do Rio de Janeiro.

Apreciadores da obra do brasileiro Machado de Assis (1839-1908) e do português Eça de Queiroz (1845-1900) reconhecerão os dois autores na leitura de Cruz de Carne. Machado, um dos maiores nomes da literatura do País, e Eça, um dos mais importantes escritores portugueses, certamente influenciaram Valença Leal, observa Homero Fonseca. Os dois escritores famosos também são citados em passagens do livro. Numa delas, os personagens principais passeiam a cavalo e conversam sobre o romance Helena, publicado por Machado de Assis em 1876.

O jornalista e editor Diogo Guedes destaca a importância da iniciativa. “Um dos papéis de uma editora é também o de resgatar as boas obras esquecidas ao longo do tempo, buscar dar a elas uma espécie de reestreia merecida. Cruz de Carne é um exemplo de livro estranhamente desconhecido dentro da literatura pernambucana, ainda mais sendo um romance que continua saboroso décadas depois de sua escrita. A publicação do volume agora pela Cepe Editora é uma forma de apresentar Valença Leal aos leitores, projeto que vai continuar com a futura edição de Os Humildes, obra de contos mesmo autor”, afirma Diogo Guedes.

Homero chegou ao romance Cruz de Carne quando encontrou no balaio de escambo o livro de contos Os Humildes, publicado por Valença Leal em 1994, pela Editora Thesaurus, de Brasília. Atraído pelo título, ele acabou resgatando a história do escritor, que também era jornalista, poeta, cronista, crítico literário (com textos publicados no Diario de Pernambuco e no Jornal do Commercio, entre outros periódicos e revistas), tradutor e professor de português e inglês. Valença Leal ainda fundou, em 1942, a Sociedade Teatral Amadora Pesqueirense. 

Diogo Guedes, jornalista e editor da Cepe

Cruz de Carne ficou em 10º lugar no concurso O Romance do ano do Jornal Folha Carioca, de 1944, recorda Homero Fonseca. Os três primeiros colocados foram Perto do Coração Selvagem (Clarice Lispector), Terras do Sem Fim (Jorge Amado) e Fogo Morto (José Lins do Rego). Boa classificação para um iniciante. Talvez por ser reservado ou por ser exigente demais, Valença Leal demorou 50 anos para lançar o segundo e último livro, Os Humildes, comentam Homero Fonseca e de Gerusa Leal.

No artigo que escreveu para o livro, Gerusa ressalta essa característica do autor. “Tão exigente que só nos legou, editadas, duas obras: o romance Cruz de Carne, cujo tema central é a paixão do narrador pela sua amada, e o livro de contos Os Humildes, que nos deixa entrever sua admiração pela vida simples, pelas pessoas simples, pelas atividades simples da vida”, resume a filha do escritor. O livro custa R$ 13,50 no formato digital (à venda nas principais plataformas de e-books) e R$ 45 na versão impressa, que depende do retorno das atividades presenciais do parque gráfico da Cepe, suspensas por causa da pandemia novo coronavírus.

 

Programação da quinta-feira (8/10)

 

8h30 – Ler, muito prazer!

Exibição de vídeos de experiências de leitura de crianças na primeira e segunda infância

 

9h – Senta, que lá vem história!

Contação da história do livro A menina que engoliu um céu estrelado (Cepe), de Gael Rodrigues, com Tapete Voador

 

9h40 – Dinâmica das letras

Recriação de histórias, com Tapete Voador

 

10h – Oficina

Os Bichos, à Moda de Clarice. Oficina de estampa com Emerson Pontes

 

11h – Bate-papo

Aspectos positivos de uma educação bilíngue. Participação das pesquisadoras Selma Moura e Rita Ladeia, com mediação da pedagoga Roseanne Rego Barros.

 

12h – Prazer de Ler

Exibição de vídeos de experiências de leitura de jovens e adultos

 

13h – Videocast

Memória em cena: Balé Popular do Recife (Direção de Christianne Galdino, 2017)

 

14h – Oficina Teatro para Crianças

Produção de Teatro de bonecos, com Dani Travassos

 

15h – Bate-papo

Em torno das releituras da obra O Pequeno Príncipe. Com a participação de Josué Limeira, autor do livro O pequeno príncipe em cordel, e de Rodrigo França, autor do livro O pequeno príncipe preto

 

16h – Por dentro do livro

À francesa: a belle époque do comer e do beber no Recife, com o autor Frederico de Oliveira Toscano e mediação do jornalista Edi Souza

 

17h – Live

Percursos e percalços de uma trajetória literária. Participação de Julián Fuks e mediação do jornalista Fellipe Torres

 

18h – Contação de história

Contação da história do livro A menina que engoliu um céu estrelado (Cepe), de Gael Rodrigues, com Tapete Voador

 

18h45 – Dinâmica das letras

Recriação de histórias, com Tapete Voador

 

19h – Lançamentos

Cruz de carne, autoria de Valença Leal. Conversa com a filha do autor, Gerusa Leal, e o organizador na nova edição, Homero Fonseca. Mediação do editor Diogo Guedes

 

20h – Sarau

Sarau musical Sobrado 47, com Juliano Holanda e Lucas Torres

Texto: Assessoria de Imprensa da Cepe

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