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A leitura como fonte de saúde mental

A leitura como fonte de saúde mental

Será que a literatura tem poder curativo? Esta teoria é defendida pelo professor Dante Gallian, diretor do Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde (CeHFi) da Escola Paulista de Medicina (EPM) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde criou o premiado Laboratório de Leitura. O pesquisador é um dos destaques da programação do Circuito Cultural Digital de Pernambuco, uma iniciativa da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe).

Nesta sexta-feira, dia 11, às 11h, Dante estará num bate-papo virtual com a especialista Carla Souza, idealizadora da página @dosesdebiblioterapia no Facebook e Instagram e do curso online Desvendando a Biblioterapia. A pesquisadora Carla enfatizará o poder da literatura na promoção da saúde e do bem-estar. Esta conversa será mediada pela escritora e professora de biblioteca escolar Érica Montenegro. O tema do encontro é A literatura como cura: O poder terapêutico da leitura.

“A literatura é o melhor caminho para encontrar as questões essenciais da existência humana. Lá estão todos os arquétipos, todos os valores e todas as lições preciosas para a vida”, diz Gallian, autor do título A Literatura como Remédio: os Clássicos e a Saúde da Alma, publicado pela Editora Martin Claret, em 2017.

Para o professor ler é ao mesmo tempo trabalho e diversão, considera inconcebível uma existência sem leitura, seja em tempo de pandemia ou de normalidade. No início da pandemia leu A Peste, de Albert Camus, e atualmente está lendo mais de cinco livros ao mesmo tempo,  a maioria clássicos da literatura.

Na sua participação no Circuito Cultural Digital de Pernambuco, o pesquisador pretende falar da experiência de vivência, estudo e reflexão que desenvolve nesta linha há quase 20 anos.

Dante se define como um autor de hetero-ajuda, neologismo para diferenciá-lo do gênero de autoajuda. Defende a ideia de que a ajuda deve ser buscada no outro e não em si mesmo. “Meu trabalho e minha obra procuram mostrar que só podemos encontrar ajuda quando nos aproximamos do outro e estabelecemos o diálogo”, explica.

Embora não disponha de dados para afirmar que durante a pandemia as pessoas tenham se dedicado a ler mais, o escritor constatou que o número de atendimentos no Laboratório de Leitura mais que triplicou. Antes do isolamento social as turmas tinham, em média, dez participantes. Esse ciclo de experiência pode levar de 3 a 16 semanas, a depender da extensão do livro adotado. Durante a pandemia, o laboratório tem apresentado ciclos com 30 inscritos, divididos em turmas de 15 pessoas.

“Creio que algumas pessoas estão aproveitando esse momento para fazer coisas que há muito queriam fazer e não tinham tempo. Ler é uma delas. E estão descobrindo que é muito bom, transformador e saudável”, ressalta.

O circuito é uma iniciativa da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), com curadoria da Fundação Gilberto Freyre. Nesta segunda edição, o homenageado é o poeta João Cabral de Melo Neto, que teria completado 100 anos de nascimento em 9 de janeiro deste ano. A realização acontece excepcionalmente no ambiente digital, em função da pandemia de Covid-19. Toda a programação será ancorada no portal (www.circuitoculturalpernambuco.com.br) e nas redes sociais do circuito, que acontece no período de 9 a 13 de setembro.

Vinte editoras, livrarias e instituições, como a Câmara Brasileira de Livros (CBL) e a União Brasileira dos Escritores participarão do evento com programações e ações próprias. O circuito conta com o apoio das secretarias estaduais de Educação, Cultura e Fundarpe. As próximas etapas acontecerão em outubro (07 a 11), novembro (12 a 15) e dezembro (09 a 13) com novas programações e participantes.

 


ENTREVISTA

 

PERGUNTA – Ler é uma fuga, uma sublimação ou seria uma forma de mergulhar no universo do personagem para se enxergar melhor?

DANTE GALLIAN – Ler é tudo isso junto: fuga, porque precisamos fugir, necessariamente, deste mundo desumanizado para não enlouquecer, pelo menos de vez em quando; sublimação, porque senão nos tornamos escravos de apenas uma dimensão da realidade; contemplação, porque nos permite olhar o mundo, os outros e a nós mesmos de uma forma mais ampla e mais profunda.

PERGUNTA – De que forma a literatura cura?

GALLIAN – Conectando-nos com o humano e conosco mesmos. A literatura nos transporta para uma dimensão mais interior e mais profunda, onde nos encontramos com as fontes da alma humana. É o beber desta fonte que nos traz saúde, que nos cura.

PERGUNTA – Escrever também cura?

GALLIAN – Entendo e vivencio a escrita como um desdobramento natural da leitura. Quando lemos, a leitura desperta em nós coisas que precisamos compreender e processar. E a melhor maneira de realizar essa necessidade é por meio da escrita. Escrever é uma demanda da leitura efetiva e mobilizadora. A escrita potencializa o poder curativo da leitura.

PERGUNTA – Que tipo de consultoria você oferece?

GALLIAN – Sou coordenador de Laboratório de Leitura, uma atividade estético-reflexiva que parte da leitura e discussão de clássicos da literatura universal. Há alguns anos venho aplicando essa metodologia no mundo corporativo como meio de humanização e promoção da saúde mental, integral. Tenho atendido muitas empresas que querem deixar de ser espaços de produção de doença para se tornarem espaços produtores de saúde. Minha empresa chama-se Responsabilidade Humanística.

 


 

PROGRAMAÇÃO DO DIA 11.09, SEXTA-FEIRA

 

8h – Podcast Cultural

Notícias sobre o mundo literário e temas afins.

8h30 – Ler, muito prazer!

Exibição de vídeos de experiências de leitura (individuais ou coletivas) de crianças na primeira e segunda infância.

9h – Senta, que lá vem história!

Contação da história do livro A domadora de Palíndromos (Cepe), de Fred Bellintani, com o Tapete Voador.

9h45 – Dinâmica das letras

Criação de palíndromos, com Tapete Voador.

10h – Oficina

Oficina de construção de instrumentos musicais com Givanilson Soares.

11h – Bate-papo

A literatura como cura: o poder terapêutico da leitura com Dante Gallian, Carla Souza e Érica Montenegro (mediadora).

12h – Podcast Cultural

Trópicos (Revista Continente) – Poesia e pandemia.

13h – Videocast Cultural

Documentário Memória da Cana, de Evaldo Mocarzel.

14h – Oficina Teatro para Crianças

Com Dani Travassos da Companhia Fiandeiros de Teatro

(Acorda corpo! Acorda voz!)

15h – Por dentro do livro

Conversa sobre coletâneas de fotografias editadas pela Cepe Editora (Alcir Lacerda, Benício Dias e Lula Cardoso Ayres). Participação de Betty Lacerda e Rita de Cássia Araújo.

16h – Bate-papo

Experiências criativas em tempos de pandemia. Participação de Bruna Lubambo, Jarbas Domingos e Gianni Melo (mediadora)

17h – Palestra

O tempo do autoconhecimento. Participação de  Rossandro Klinjey, autor do livro O tempo do autoencontro, e  KiKa Freyre (mediadora).

18h – Contação de história

Contação da história do livro A domadora de Palíndromos (Cepe), de Fred Bellintani  com o Tapete Voador.

18h45 – Dinâmica das letras

Criação de palíndromos, com Tapete Voador.

19h – Prazer de Ler

Exibição de vídeos de experiências de leitura (individuais ou coletivas) de adolescentes e adultos.

19h30 – Lançamento digital

A história da eternidade, de Camilo Cavalcante. Conversa entre o autor e a jornalista Luciana Veras.

20h – Sarau

Teatro em perspectiva com a Companhia Maravilhas de Teatro.

 

Assessoria de Imprensa da Cepe

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